sexta-feira, 27 de julho de 2018

A Regra dos 13 & Castle Rock

Nesses tempos de streaming e facilidades no acesso a conteúdos, o maior problema para o usuário desses serviços, quem diria, é o de escolher o que assistir ante a demanda absurda de novidades lançadas semanalmente. A priori, esse modo combo, que disponibiliza temporadas completas em plataformas, parece bastante sedutor, dependendo como o ritmo, enredo e os cliffhangers da série são executados; quer dizer, não é qualquer programa que funciona na base do hit combo. Com exceção, por exemplo, das temporadas inaugurais de Demolidor e Justiceiro, passei maus bocados para encerrar os respectivos ciclos de Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro

Caso as últimas fossem exibidas à moda clássica, um por semana, talvez, os pontos fortes fossem potencializados e os fracos, dispersados. Outro fator que joga contra o time da casa é a fórmula dos treze capítulos, que engessa tramas e subtramas, criando barrigas conceituais, geralmente, na metade das histórias. É só dar uma rápida zapeada em resenhas críticas ou threads de redes sociais, que tu tens a exata noção de quão contestado esse formato tem sido. Sabe por quê? Porque a noção de série se perde quando tu eliminas a noção de seriado: 

No modo combo, o fator “intervalo regular” vai pelos ares e a série transforma-se em filme de treze horas de duração. Logo, os produtores deveriam – e precisam! – repensar certas propostas e privilegiar a narrativa em vez da estrutura. Se tiveres uma história que comporta treze horas, ótimo, mas caso o script só dê conta de seis, por quê forçar a barra? Uma interpretação rasteira sobre o maior número de menções à Netflix no Emmy 2018 pode transparecer a ideia que exista de fato um boom de qualidade em curso no gigante do streaming; por outro lado, tenha em mente que a HBO não lança 1/5 dos números da primeira num semestre e faz o diabo dentro de suas diminuídas possibilidades – não é eufemismo, é ironia mesmo, ok? Castle Rock é uma série que minha patroa elegeu como “nossa”. Vi o piloto e – devo dizer – acho que ela foi bem feliz na escolha. Pelo que sondei por aí, a temporada contará com dez episódios e a julgar pelo debute, olha, parece bem promissora, sobretudo porque o título remete a cidade fictícia no estado do Maine, utilizada ou citada em dezenas de obras de Stephen King. Sim, Castle Rock tem a livre premissa de perpassar enredos e locações Kingianas, a exemplo da icônica Penitenciária de Shawshank de Um Sonho de Liberdade (1994) que, aliás, ocupa boa parte do tempo de tela. 


De partida, conhecemos rapidamente Dale Lacy (Terry O'Quinn¹), um sujeito que se despede da esposa no que parece ser um dia comum de labuta, sai de casa no seu carro e comete suicídio. Detalhe: ele era o diretor do presídio em comento e estava prestes a se aposentar. Sua substituta, a Diretora Porter, começa na função fazendo um inventário da prisão e descobre que uma ala inteira foi desativada. Ao enviar homens para checar o motivo do abandono, um deles descobre uma espécie de jaula subterrânea mantida em segredo por Dale e dentro um prisioneiro sem identificação ou qualquer registro.

A história desse misterioso detento cruza com a de Henry Deaver (André Holland), um advogado que durante a infância desapareceu por uns dias em 1991 e virou lenda local. É cedo para especular, mas o mistério por trás desses dias perdidos aparentemente tem alguma conexão com esse "John Doe" – vivido por Bill Skarsgård, um sujeito que parece confortável em papéis monossilábicos e miseravelmente assustadores em suas sutilezas

Fechei com essa série. Vamos aguardar os próximos desdobramentos. 

¹ Jurava que o Terry O'Quinn iria estourar após Lost. Ledo engano. Bom revê-lo e repetindo a parceria com o J.J.

Nenhum comentário: