segunda-feira, 30 de julho de 2018

Do que Emma Frost Gosta(va)

Do que as mulheres gostam? Mel Gibson talvez saiba - provavelmente não -, mas a esmagadora maioria dos outros proprietários de cromossomos y, por desconhecerem tal resposta, sofre os dissabores e os ímpetos de fúria do sexo oposto. Naqueles dias, um “nada” que habitualmente já é um universo em constante expansão, transforma-se instantaneamente em um multiverso de possibilidades. Tudo culpa da maldita sangria¹

Na nona arte, por anos a fio, a mulher, com raríssimas exceções, foi invariavelmente o mesmo personagem, uma acéfala démodé esculpida à revelia das leis da física como objeto de fetiche da molecada aficionada pela justiça praticada com as próprias mãos. Repetido à exaustão, o arquétipo ganhou status de clichê e vem, por uma ironia do destino, perdendo a passos largos sua força para as mulheres reais, ferradas da cabeça, espirituosas e perigosamente cativantes. 

Não defendo a celulite como catalisador de ideias, na verdade nem cheguei a cogitar tamanho despautério, afinal de contas, uma figura curvilínea sempre será um colírio para os olhos, o que quero dizer é que uma mesma Emma Frost pode conciliar entre suas particularidades tanto a volúpia quanto um intelecto mais avantajado. 
 
Aproveitando a deixa, merece uma profunda digressão o último alicerce intacto da Era Grant Morrison, o breve triângulo amoroso formado por Scott, Jean e a referida Rainha Branca. Aí vai uma verdade inconveniente, a loira fatal eclipsou por completo o efeito fênix de Jean Grey, tanto que não havia qualquer clamor por seu ressurgimento das cinzas. Mais que isso, a influência da aristocrata revolucionou o líder mutante, privando-o de fantasmas, inibições, e as restrições advindas da perfeição da esposa que inconscientemente repercutiam em campo, ou mesmo nos bastidores da ação. 

Um amor juvenil, idealizado demais para ser real, deu lugar a variante do amor que funciona entre adultos, moldado na aceitação² dos defeitos mútuos e no poder de se surpreender dia após dia. Com Jean, verdade seja dita, tudo passou a ser miseravelmente previsível, dadas as grandes expectativas que poderia se esperar de sua parte, com a cumplicidade de Emma, Scott pegou no tranco e fez a maior de todas as descobertas: conheceu a si próprio. Um autoconhecimento que julgo ter sido, em parte, bem executado na gestão Brian Bendis, mas colocado em xeque quando o mutante foi dado como morto após anos de construção e desconstrução, como a terceira via. Recentemente, mais precisamente após o desfecho de Inumanos vs. X-Men, perdi o interesse, acredito que não em definitivo - porque nunca é -, mas o suficiente para ignorar a avalanche multicolorida de equipes. O maior dissabor foi com os destinos desses dois:

[SPOILER] Ciclope _____________ e Emma _______________

Uma pena. Tinha plena convicção que o casal ainda tinha muito pela frente; e por outro lado, há quem chame nossa atenção para a qualidade nos materiais contemporâneos - não discordo, visto que não sou leitor deles -, mas excetuando Velho Logan e Cable, nenhum deles consegue ter apelo comigo. Fato é que minhas entranhas já começam a se contorcer e clamar por radicalismos, declarar terra arrasada - como já declarei uma vez - e instituir um novo povo do amanhã.

Enfim, Jean estava para “Vada Sultenfuss” assim como Emma para “Mrs. Robinson”. 
¹ Que o velho bastardo perdoe o trocadilho e também aqueles bufões tuiteiros daquela vez.
² Alimentada num contexto de insinuações de toda sorte e reiterados segredos de ambas as partes, é que se deu em X-Men Sombrios: A Confissão a tão aguardada conversa entre Scott & Emma. Impecável, contudo repleta de pecados.Por último, alguém aí anda acompanhando The Gifted? Eis uma grande surpresa, tanto que nem me importo mais com o futuro - que futuro? - da franquia X nos cinemas, sem falar que...


...essas Irmãs Stepford (ou Cuckoos) são um barato; se bobear, vão roubar a série para elas. Espero que, alguma hora, Emma apareça para dar um corretivo nelas.

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